Adoção

Mãe encontra solução criativa para trabalho da escola de filha adotiva

FONTE: GaúchaZH

Foto produzida por Junya e BárbaraArquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Ao chegar da aula, Bárbara comunicou à mãe que a professora tinha pedido aos alunos a realização de uma atividade diferente para a escola — uma espécie de mini álbum. Nele, os alunos deveriam colocar fotos de quando ainda estavam na barriga de suas genitoras, do parto e de quando eram recém-nascidos. O único empecilho para a realização da atividade, no entanto, era que Junya Sant Anna não teria como colocar imagens da gravidez no trabalho da filha pois adotara a menina quando ela tinha quatro meses, e não possuía fotos da mãe biológica grávida. 

Em entrevista nesta sexta-feira (27) ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha, Junya afirmou que, após ficar mais ou menos uma semana pensando em como resolveria a demanda de uma forma divertida e prazerosa, teve uma ideia: 

— Eu disse: "filha, nós vamos ter de fazer o seguinte, você vai ter de entrar dentro da minha barriga" — conta a mãe, que mora em Belo Horizonte. 

Para a produção da imagem, ela encontrou a seguinte solução: pegou uma camisa usada e fez um buraco na parte de frente da roupa para que a menina pudesse encaixar a cabeça e, assim, passar a impressão que estava dentro da barriga de Junya. Posicionadas em frente a um espelho, as duas tiraram a foto. 

— Ela se divertiu horrores — diz a mãe. 

— É quebra de paradigma. A gente não tem que ficar preso ao conceito de mãe, pai. Hoje, nós temos um contexto familiar muito diversificado, né. A gente vê as adoções homoafetivas, (quando) eu adotei Bárbara eu estava divorciada, ou seja, eu era mãe solteira — afirma Junya.

Na escola, o trabalho de Bárbara fez sucesso, virando case na instituição. Segundo a mãe, inicialmente houve grande curiosidade por parte dos colegas devido ao fato de a menina ser negra e a mãe, branca. 

— Como ela leva isso com muita naturalidade, porque absorve isso em casa, flui mais tranquilo entre crianças, porque criança é muito mais fácil, né, a gente (adulto) é que complica — conta Junya. 

 

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