Adoção

Aplicativo para ajudar crianças e adolescentes que esperam por adoção é lançado pela Justiça do RS

FONTE: G1

Iniciativa pretende humanizar a busca com vídeos, cartas e desenhos. Mais de 5 mil famílias estão habilitadas para a adoção no Rio Grande do Sul, enquanto cerca de 600 crianças com mais de 3 anos esperam ser adotadas.

A Justiça do Rio Grande do Sul lança nesta sexta-feira (10) um aplicativo de celular para dar visibilidade a crianças e adolescentes que esperam por adoção, já que o interesse da maioria dos adotantes é por bebês. Mais de 5 mil famílias estão habilitadas para adotar no estado, enquanto cerca de 600 crianças com mais de 3 anos esperam ser adotadas.

A ferramenta é uma iniciativa do Tribunal de Justiça, em parceria com o Ministério Público e a PUCRS. A ideia é que ocorra uma humanização da busca, com fotos, vídeos, cartas e desenhos, para despertar o interesse e a flexibilização do perfil desejado pelos candidatos.

Como funciona o aplicativo
O aplicativo está disponível nas versões android e iOS e pode ser baixada nas lojas (Google Play e Apple Store). Com o app, as famílias que estão no Cadastro Nacional de Adoção (CNA) conhecerão detalhes das crianças e dos adolescentes em vídeos.

Até então, no Projeto Busca-Se(R), da Coordenadoria da Infância e Juventude do RS, só era possível ter acesso a dados básicos como nome, idade, sexo, raça, condições de saúde e situação jurídica.

Os detalhes do aplicativo serão somente para candidatos aprovados pela Justiça e apenas crianças que queiram participar serão incluídas. O público em geral também poderá baixar o app, mas só terá acesso a informações básicas sobre adoção, sem identificação dos jovens cadastrados.

Adoção tardia
Mais de 1,8 mil crianças e adolescentes aguardam adoção no estado. Pela lei, o processo deveria ocorrer em até dois anos. Mas a coordenadora técnica do abrigo João Paulo II, Camila Monteiro, conta que a espera pode durar mais. "Tivemos o caso de uma menina que chegou para nós aos 9 anos de idade e saiu agora com 18".

Segundo a corregedora geral da Justiça Denise Oliveira Cézar, as adoções não acontecem porque 88% dessas crianças têm mais de 11 anos. "Não existe um encontro entre as expectativas dos adotantes e as crianças em condições de serem adotadas", diz.

Há 10 anos o casal Antônio e AnaMárcia Mey queria adotar uma criança. Eles foram até uma casa lar e acabaram adotando cinco irmãos entre 4 e 9 anos de idade. "Pegamos os pequenos no colo e a assistente social comentou que eles eram irmãos e tinham um probleminha. Tinham mais três irmãos, todos abrigados. Nessa hora olhei para minha esposa, ela estava com os olhos marejados", conta Antônio.

"Foi muito mais prático eles serem mais velhos, porque brincavam junto e ajudavam com os pequenos. Eu nem consigo lembrar como era nossa vida antes, sem eles", diz AnaMárcia.

A história do casal é um caso raro, já que 90% dos adotantes procuram crianças de até 6 anos de idade. "No momento em que a pessoa que descreveu um perfil absoluto enxergar uma criança que seja diferente, ela vai se encantar pelo sorriso, pelo olhar, ela vai se apaixonar e querer adotar essa criança", afirma a corregedora Denise.

"Não importa o que acontecer, eu sei que vou ter alguém para contar. Sempre vão estar junto", diz Janaína Borges, filha adotiva de Antônio e AnaMárcia.

 

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