Boas ações

Tricotando Sonhos

FONTE: RevistaTRIP

Ao lado da professora de tricô Leninha Egreja, amiga de Bel, a ideia germinou e tem seu primeiro desabrochar junto ao Trip Transformadores 2017. O encontro entre Bel, as mulheres que tricotaram e as mulheres africanas do projeto Iada acontece no palco do Pause Festival, evento gratuito que será dia 28 de outubro em São Paulo. “O tricô exige tempo”, explica Bel. E continua: “Isso traz muitos frutos não só para quem recebe o resultado final, como para quem faz. Doando seu tempo para fazer esse tricô, é você quem recebe amor e transformação.”

“Desacelerar para pensar no outro é fazer carinho em si mesmo. É amor”

O projeto Iada África, que receberá a doação das mantas finalizadas, foi desenvolvido por Nádia Ferreira, 37 anos, imigrante de Guiné-Bissau que está há 16 anos no Brasil e atua há mais de dez anos em causas sociais. Nádia é empreendedora e luta pelo empoderamento de mulheres africanas refugiadas no Brasil. Em comum com Bel, ela também acredita que usar o tempo para focar no ser humano é transformador. “Quando dou o que tenho de mais precioso para o outro, que é o tempo, eu olho para a humanidade com carinho. Isso não tem medida. As coisas artesanais dedicam tempo e a vida é tempo, desacelerar para pensar no outro é fazer carinho em si mesmo. É amor”, diz Nádia.

Muitas das mulheres que se reuniram para costurar são pacientes de Bel, e tiveram com o tricô um processo de autoconhecimento e transformação profunda. O processo de fazer os quadradinhos também tem a ver com costurar essas histórias. É um reencontro. “Tenho pacientes aqui que estavam em processos profundos de depressão e com o tricô viram outras possibilidades de se comunicar e de se doar para algo maior e transformador”, conta a psicóloga. Para ela, tricotar é uma atividade importante para o equilíbrio do corpo e da mente. Deise Rubini, 60 anos, paciente de Bel, é prova viva disso. “Com essa experiência eu revivi”, confessa.

“ Eu esquecia de tudo quando estava costurando, não lembrava da depressão”

Depois de começar a fazer terapia com Bel, ouviu um conselho: “Faça crochê!”. “Minha primeira resposta foi: ‘Fazer crochê? Pra que, uma coisa tão bobinha!’.”, relembra. Na mesma tarde pediu ao seu filho que comprasse lãs e agulhas. “Quanto mais eu fazia, mais amor ia nascendo dentro de mim. Eu esquecia de tudo quando estava costurando, não lembrava da depressão. Eu pensava nas crianças que receberiam aquelas mantas e no sentimento de gratidão a isso. Tenho certeza absoluta que costurar foi um processo de cura para mim. Sentia que era para fazer o bem para o outro, mas fazia bem para mim também”, conta, emocionada, Deise.

A história de Bel com o tricô também envolve cura. Mesmo tendo aprendendo a tricotar quando pequena, o gosto pelas agulhas voltou quando Lama Michel nasceu, ela fazia casaquinhos para ele. Mas a relação com o trabalho manual se estreitou quando sua mãe ficou doente. “Vou tricotar uma manta até a minha mãe se curar ou completar seu processo”, conta. A partir de então, a lã e as agulhas viraram melhores aliados para desenvolver o que existia de bom dentro dela e nunca mais parou de tricotar. “É uma boa prática para fazer as pazes com algo dentro da gente e cultivar uma meditação sobre o que queremos transformar”, finaliza Bel.

 

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