Sustentabilidade

Dois anos depois, minério da Samarco ainda contamina água do Espírito Santo, Bahia e Rio de Janeiro

FONTE: CONEXÃO PLANETA - Por: Suzana Camargo - Fotos: Fernando Moraes/Rede Abrolho

O ultimo 5 de novembro marcou dois anos do acontecimento da maior tragédia ambiental do Brasil. Naquele dia, ocorreu o rompimento da barragem da mineradora Samarco, que fez com um mar de resíduos tóxicos fosse jogado na bacia do Rio Doce, próximo à Mariana, em Minas Gerais. A lama de minério destruiu completamente o vilarejo de Bento Rodrigues e deixou 19 pessoas mortas, além de poluir e contaminar toda a água da região e tirar a vida de centenas de animais.

Ao longo destes dois últimos anos, diversos órgãos têm realizado o monitoramento da água do Rio Doce. Em novembro, mostramos aqui, neste outro post, que um estudo da Fundação SOS Mata Atlântica revelou que em 88,9% dos 18 pontos de coleta analisados, a água era imprópria para consumo humano, pesca, irrigação e produção de alimentos.

Agora, um novo laudo técnico divulgado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) aponta que os impactos da pluma (lama) de sedimentos permanece na região. “A pluma tem se movimentado pela costa do Espírito Santo, chegando ao extremo norte do Rio Janeiro e extremo sul da Bahia”, afirma Joca Thomé, coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação das Tartarugas Marinhas e Biodiversidade Marinha do Leste (Centro TAMAR/ICMBio), órgão responsável pelo monitoramento.
Para chegar a este resultado foram feitos estudos de água, sedimentos, material particulado e organismos vivos, além de dados obtidos através de sobrevoos e imagens de satélite da região.

Como já havíamos antecipado, em junho do ano passado, pesquisadores estavam bastante preocupados com a chegada da lama tóxica da Samarco no Parque Nacional Marinho de Abrolhos, maior formação de recifes de coral e maior banco de biodiversidade marinha do Atlântico Sul (leia mais aqui).

Pois segundo o laudo recém-divulgado, “análises realizadas pelo Departamento de Oceanografia da Universidade Federal do Espírito Santo – DOC/UFES logo após a chegada da pluma na foz do Rio Doce, indicam que o impacto da pluma oriunda do rompimento da barragem sobre as comunidades planctônicas (de Abrolhos) esteja relacionado diretamente com o expressivo aumento na concentração de metais na água, especialmente o ferro dissolvido, causador de maior proliferação de microalgas marinhas”.

A equipe técnica que realizou o estudo de monitoramento recomenda a realização urgente de coletas de sedimentos para a análise de metais pesados em outras regiões, como o sul do Espírito Santo.

A pesca na região da foz do Rio Doce continua proibida. A área de proibição se estende desde Degredo, em Linhares, até Barra do Riacho, em Aracruz, ambas no litoral capixaba.

No mês passado, a Samarco ainda negociava indenizações com as vítimas do desastre ambiental. Segundo a Fundação Renova, que está à frente de todo o processo de “rescaldo” da tragédia para a mineradora, “o atendimento para (vítimas) que se cadastrarem em 2017 está previsto para até 30 de junho de 2018”. Ou seja, quase três anos depois do acidente.

Enquanto isso, a Samarco obteve no começo de dezembro a primeira licença para retomar suas atividades no Complexo de Germano, localizado entre Mariana e Ouro Preto, na Região Central do estado. A mineradora estava proibida de funcionar deste 2015.

*Com informações do ICMBio

 

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