Ser mulher

Google traz ao Brasil programa para capacitar 10 mil mulheres

FONTE: ÉPOCA NEGÓCIOS -  Por: Barbara Bigarelli

Amanda Moraes sempre sonhou em ser dançarina ou, quem sabe, estilista. Não conseguiu e, por força do destino e da maternidade, tornou-se cabelereira. Foi quando passou a pensar em ter seu negócio próprio. Ana Guerra sempre sonhou em ser engenheira e começou a trilhar esse caminho ao entrar em um curso de eletrônica aos 16 anos. Sofreu preconceito por ser mulher e negra. Jordelle Medeiros conseguiu se formar em administração, mas acabou desempregada por um ano. Nenhum currículo passava sob o crivo dos recrutadores. A experiência de cada uma dessas mulheres é única, mas sob vários aspectos elas se assemelham. Amanda, Ana e Jordelle são moradoras da periferia paulistana. São mulheres. São negras. Sabem desde cedo o que é ser minoria na prática, mesmo sendo maioria, segundo os números do IBGE.

As três participaram do piloto do programa de empoderamento feminino, womenwill, do Google, promovido em dezembro de 2017 em Paraisópolis e Brasilândia (SP). Em parceria com a Rede Mulher Empreendedora, a empresa realizou um treinamento gratuito para 100 mulheres dessas comunidades com aulas sobre liderança, educação financeira, comunicação e tecnologia. "Capacitação é a melhor forma de mudar a vida dessas mulheres. O desenvolvimento dessas habilidades melhora a autoconfiança delas e aumenta a capacidade delas de aprender e empreender", diz Ana Fontes, presidente da Rede Mulher Empreendedora. 

Após o piloto nas comunidades paulistanas, o Google irá promover todos os meses treinamentos em seu centro de empreendedorismo em São Paulo, o Google Campus. Com duração de 16 horas, o curso terá aulas de capacidade de negociação, liderança, comunicação, finanças e tecnologia. As aulas serão ministradas por profissionais da empresa e parceiros, como a Rede Mulher Empreendedora.  O programa é aberto para mulheres. Mas a seleção das participantes, segundo Suzana, levará em conta a situação econômica e social delas. O processo seletivo também dará prioridade a minorias: mães solteiras, transgêneros ou mulheres com deficiência.

Google levará o womenwill para cidades do Nordeste neste ano. "É uma região onde há muitas cidades pouco desenvolvidas e menor índice de empregabilidade", afirma Suzana, justificando o critério de seleção.  O conteúdo do womenwill Brasil estará disponível no YouTube. Em 2018, com os treinamentos no Google Campus, em comunidades e em cidades do Nordeste, a empresa quer capacitar 10 mil mulheres no total. 

O Brasil é o quinto país no qual o Google implementa o womenwill. No Japão, onde o programa nasceu, o foco é estimular as mulheres a retornar ao trabalho após a licença-maternidade. No país, duas de cada três mulheres não o fazem. Lá, o Google fez uma parceria com 1 mil empresas para desenhar práticas de gestão mais flexíveis. Já na Índia, o foco do womenwill é fornecer celulares e capacitar as mulheres das zonas rurais para elas viajarem pelo interior do país levando tecnologia a aldeias e promovendo a inclusão digital. O país é o segundo do mundo em número de pessoas conectadas à internet, mas apenas 30% dos usuários são mulheres. 

No Brasil, segundo Suzana Ayarza, diretora de marketing do Google Brasil, o foco do womenwill será estimular o empreendedorismo capacitando mulheres sem acesso à educação formal. O objetivo é oferecer treinamento de habilidades digitais e comportamentais para que elas tenham maior acesso a oportunidades econômicas. "No Brasil, o número de mulheres desempregadas é 29% maior do que o dos homens. E, mesmo quando elas estão empregadas, recebem um salário 25% menor", diz Suzana.

 

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