Gente que faz e acontece

Grupamento da PM do Rio escolta ambulâncias que levam órgãos para transplantes

FONTE: EXTRA 

“Se não fossem vocês, eu não estaria aqui”. Com essas palavras, Matheus Guimarães, de 12 anos, arrancou lágrimas dos policiais militares que, em fevereiro, escoltaram o coração que foi transplantado em seu peito. O agradecimento aconteceu em uma cerimônia fechada, no Instituto Nacional de Cardiologia (INC), em Laranjeiras, onde os PMs do Grupamento Tático de Motociclista (GTM) do Batalhão de Choque têm sido recebidos como heróis. Só no último ano, o trabalho deles garantiu que seis corações e cinco fígados chegassem rapidamente à unidade de saúde. O caso mais recente aconteceu no dia 27 de agosto, quando uma ambulância foi escoltada desde o Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Com o auxílio dos batedores, o trajeto de quase 40 quilômetros até a Zona Sul do Rio foi cumprido em 30 minutos.

Criado em abril de 2002, com a missão de fazer motopatrulhamento e escolta de autoridades, o GTM oficializou em 2015 uma parceria com o Programa Estadual de Transplantes (PET) para escoltar ambulâncias. O grupamento já atuava no translado de órgãos esporadicamente. A ideia de formalizar essa cooperação partiu da tenente-coronel Myryam Broitman, comandante do Grupamento de Ações Pré-Hospitalares do BPChoque.

— O GTM fazia escolta de órgãos eventualmente, de forma absolutamente silenciosa. Achei importantíssimo ampliar esse trabalho, que tem um aspecto humanitário e foge daquele viés de truculência da Polícia Militar. Então, entrei em contato com o INC e acabei chegando ao pessoal do PET. Eles vieram para o batalhão duas vezes, deram diversas palestras, e demos início a essa campanha que salva vidas — conta ela.

Acostumados à frieza dos eventos oficiais e à rigidez da escolta de autoridades, os policiais se viram diante de um novo desafio ao escoltar ambulâncias que transportam órgãos vitais: controlar a emoção. Uma vez, o cabo Bernardo Correia Pedroza de Spindola foi abordado por um homem na porta do hospital. Ao saber que estava chegando um coração, o homem, aliviado, disse: “É para o meu filho”.

— Aquilo encheu meus olhos de lágrima. Ele disse que não tinha como agradecer por nosso trabalho. Aquele agradecimento espontâneo me marcou como se fosse uma condecoração — afirma o policial.

O tenente Eduardo de Oliveira Ribeiro está à frente do grupamento, que conta com 236 PMs. Desse total, 24 fazem parte da escolta. Trata-se de um grupo de elite, treinado em cursos de diversas corporações — Exército, Marinha, Aeronáutica e Polícia Rodoviária Federal —, que conhece as ruas e o trânsito do Rio como a palma da mão.

— Fazer escolta não é só abrir e fechar vias. É preciso planejar o que vai acontecer lá na frente para evitar acidentes. Não basta ser bom de moto, tem que ser bom de raciocínio também — explica o comandante, acrescentando que os motoristas mudam de comportamento ao saber que um órgão está sendo escoltado: — Quando a gente está escoltando um presidente, os motoristas não querem nem saber quem é, reclamam que querem chegar logo em casa. Mas quando a gente diz que está transportando um órgão, chegam até a aplaudir.

Um dos mais novos integrantes da equipe é o sargento Gilberto da Silva Lima, que ingressou no GTM após ficar em primeiro lugar no curso de escolta do Exército. Ele participou da operação que garantiu o transporte a tempo do coração, entre a Baixada e o INC, no último dia 27:

— Até dois meses atrás eu fazia o policiamento na Rocinha. Nada que tinha feito até agora foi tão gratificante quanto essa escolta.

O pelotão também já fez outros trabalhos marcantes. Em 2013, durante a Jornada Mundial da Juventude, o GTM foi acionado quando o carro que trazia o Papa Francisco, escoltado pela PRF, ficou preso em uma rua fechada no Centro do Rio. Os motociclistas da PM acabaram fazendo a escolta do pontífice até o fim de sua estadia na cidade.

— Ficamos sem graça de pedir para tirar uma foto, mas o próprio Papa pediu para entrarmos numa sala, cumprimentou a todos e deu um terço para cada um de nós. Depois, tirou uma foto conosco. Ele brincou, fazendo gestos com as mãos, dizendo que somos equilibristas em cima das motos — lembra o tenente Eduardo.

O grupamento também fez o transporte da taça da Copa do Mundo, em 2014, e da tocha olímpica, em 2016. Recentemente, o pelotão foi convocado para um trabalho inusitado: escoltar as noivas de PMs que celebrariam a união em um casamento comunitário.

— Só assim para elas não chegarem atrasadas — brinca o comandante.

 

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