Cidadania

Mutirão de solidariedade tenta salvar sobreviventes de terremoto no México

FONTE: G1 GLOBO

Uma escola do México virou o símbolo do esforço pelo salvamento de sobreviventes do terremoto. Até o momento, o tremor de terça-feira (19) teve 225 mortes confirmadas.

Uma multidão está nas ruas em um mutirão de solidariedade e em busca de notícias.

A escola primária Enrique Rebsamen, no sul da Cidade do México, estava funcionando com 400 crianças quando o terremoto a reduziu a escombros.

Voluntários na hora começaram a tirar as crianças dali. Rodrigo, que estava na escola na hora, disse que a saída ficou bloqueada e que escapou passando por cima de uma parede que caiu.

As buscas continuaram à noite em uma cidade que não dormiu. Enquanto equipes de resgate reviravam os escombros, voluntários pediam silêncio para ouvir o choro de alguma criança.

O punho em riste é o sinal. Pais e familiares na porta da escola queriam saber do paradeiro dos seus filhos. Pelo menos 21 crianças foram tiradas dali sem vida e quatro adultos.

Nesta quarta-feira (20), as buscas continuaram. Um resgatista disse que câmeras que detectam o calor identificaram que ainda há gente ali, e que é possível tirar alguém com vida. Uma médica diz que são cerca de 20 crianças soterradas. E esse foi só um dos 45 prédios que desabaram com o terremoto de magnitude 7.1.

Foi nessa hora que o país começou a se unir: mexicanos que viviam suas vidas cotidianas e turistas, que, de férias, foram surpreendidos por uma tremedeira até na água.

Uma explosão, segundo um morador, foi causada por um vazamento de gás. Muito veio abaixo.

Num prédio que o Jornal Nacional mostrou na terça-feira estavam dois brasileiros que ficaram levemente feridos. Daniel Martins estava trabalhando como tradutor.

“Em uns dois segundos começou a cair tudo. Caiu o piso embaixo de mim, eu estava no segundo piso e caí para o primeiro piso e os escombros começaram a cair em cima de mim, a me esmagar, foi me esmagando, me esmagando. Eu fiquei 40 minutos ali embaixo até que chegaram os resgatistas e eu já tinha conseguido tirar uma perna e um braço para fora, e com esse braço peguei o celular e consegui avisar minha esposa que estava embaixo dos escombros”, contou.

Ele está com uma suspeita de fratura no quadril. Mas quando teve alta, o que viu nas ruas foi uma grande rede de solidariedade.

Além de 700 pessoas do Exército, da Marinha e da Proteção Civil, milhares de voluntários estão nos locais dos escombros. Paramédicos correm contra o tempo.

E, do nada, doações foram aparecendo pela cidade. O Brasileiro Rodrigo Dib, representante comercial, estava em um desses pontos de distribuição de doações.

“O que mais pega de assustar é você o dia inteiro ficar escutando sirene, um monte de helicóptero passando, acho que o clima fica muito tenso. Foi até difícil dormir neste sentido, mas hoje já começou essa questão da solidariedade, de ajudar o pessoal que está preso nos escombros”, disse.

E na hora da entrevista, uma prova do que gente unida é capaz: “Só um minutinho que o pessoal pediu para fazer silêncio um minuto. Vão passar alguma informação.”

O silêncio em meio ao caos. “Isso aqui é o seguinte: alguém vai passar alguma informação e aí todo mundo fecha o punho assim no sentido de silêncio e aí todo mundo respeita.”

Naquela hora, estavam pedindo para os voluntários saírem do centro da cidade e se espalharem por outros bairros. Na periferia, os trabalhos acontecem em mutirões, que reviram escombros de casas, pequenos negócios e igrejas.

Alojamentos provisórios abrigam quem não pode ajudar. E em pequenas cerimônias, a Cidade do México enterra seus mortos.

O presidente americano Donald Trump falou nesta quarta-feira por telefone com o presidente do México, Enrique Peña Nieto, para expressar suas condolências. Ofereceu assistência e equipes de salvamento, que estão sendo mandadas para o país agora. Trump também prometeu trabalhar em conjunto com o México na resposta aos recentes terremotos e furacões.

 

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