Cidadania

Grêmios estudantis estimulam a prática da cidadania

FONTE: O GLOBO

Após processo eleitoral com campanha e votação secreta, escolas do Rio elegem seus representantes

Enquanto candidatos disputam a preferência do eleitor em todos os cantos do país, as eleições em 936 escolas municipais do Rio já foram decididas. Desde junho 3.340 alunos têm a responsabilidade de representar o interesse de seus colegas nos próximos dois anos. Após passarem por um processo eleitoral, com a constituição de chapas e votação livre e secreta, os mais votados compõem as diretorias executivas dos grêmios estudantis de suas unidades. São a cidadania e a política vivenciadas na prática As diretorias dos grêmios são formadas por presidente, vice-presidente, primeiro- secretário e segundo-secretário – todas empossadas nas Coordenadorias Regionais de Educação (CREs).

O pleito dos grêmios estudantis de 2018 contou com o suporte do Núcleo Interdisciplinar de Apoio às Unidades Escolares (Niap) da Secretaria Municipal de Educação, que tem, entre suas competências, a de acompanhar, orientar e estruturar os grêmios, e é composto por professores, assistentes sociais e psicólogos. A professora Kátia Rios, gerente do Núcleo, defende o fortalecimento da escola para se tornar uma célula que represente a sociedade. Então, os grêmios estudantis cumprem este papel, já que são um espaço potente para a participação e colaboração de alunos, negociação de interesses e planejamento escolar.

– O grêmio cumpre o papel de compromisso com a gestão democrática e vai além: também é um exercício pedagógico de formação humana, em que o aluno experimenta os limites – seus e do outro – e pratica o exercício de ouvir e ser ouvido. Trata-se de uma série de competências importantíssimas para uma vida cidadã – salienta ela, destacando que a participação neste processo tem um impacto imediato e direto na aprendizagem do estudante.

A mobilização para as eleições das diretorias executivas começou em março, com a formação de uma comissão eleitoral, que preparou o espaço para a consulta à comunidade escolar. A partir daí, os alunos se organizaram em chapas. Na disputa deste ano, foram inscritas mais de cinco mil, com 20 mil alunos candidatos – participaram estudantes a partir dos 9 anos. Algumas escolas tiveram mais de 20 chapas.

A participação do docente no processo é fundamental. Kátia explica que cada escola tem um professor representante no grêmio. Em sua maioria, ele é escolhido por ter afinidade e proximidade com os alunos. Com apoio desse professor, a diretoria eleita formula a estrutura do seu estatuto, que é legitimado pela Secretaria de Educação. Paralelo a isso, os alunos são incentivados a elaborar seus planos para colocar as promessas de campanha em prática. As propostas formuladas pelos grêmios são as mais diversas. Vão das objetivas e pontuais – como o aumento do muro do colégio − até questões mais agudas, como atos de conscientização sobre respeito e tolerância. Eles sugerem palestras sobre temas que trazem impacto para o cotidiano, como preconceito, racismo, bullying, exclusão, etc.

– São temas que estão na sociedade, não são exclusivos da escola. São questões que fazem parte da problematização da própria da sociedade – avalia.

O Niap faz reuniões regulares com as diretorias executivas por polos. Kátia explica que, pelo menos até o final deste ano, 11 alunos dos mais de três mil eleitos serão escolhidos por seus colegas e farão parte do Conselho de Alunos da Secretaria de Educação.

 

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