Preconceito

Diminuir preconceito é desafio para professor

FONTE: Gazeta do Povo

O estudo ouviu 18,5 mil pessoas em 501 escolas públicas de todo o país. O grupo mais atingido pela discriminação foi o de portadores de necessidades especiais. Em seguida estão os negros.

Para especialistas, a escola reflete o que ocorre na sociedade. Apesar disso, é justamente esse espaço que pode trazer mudanças reais. Como o professor é um dos formadores de opinião de crianças e adolescentes, deve estimular o debate em sala de aula sobre essas questões e apresentar a diversidade das visões de mundo. O grande problema é que muitas vezes o próprio docente não está preparado e nem recebe apoio para isso. O caminho apontado para solucionar o impasse é investir na formação.

A professora da Universidade Federal do Paraná e doutora em psicologia social Tânia Baibich-Faria diz que é dentro da sala de aula que se pode combater a discriminação com mais eficiência, mesmo com o professor também tendo pré-noções. “O mais importante é reconhecer em si o preconceito e desenvolver competência de estar sempre alerta para lidar com isso.” Ela explica que a discriminação ocorre em todas as sociedades, porque está relacionada com a construção da própria identidade. Por isso, não se pode exigir que os professores sejam diferentes. Mas eles podem e devem desconstruir esses conceitos. “O papel do professor é fundamental. Ele tem de construir a pedagogia do antipreconceito. Ele não pode negar a realidade e ao mesmo tempo que percebê-la deve ter uma atitude combativa.”

Estudos comprovam que a discriminação deixa marcas por toda a vida e é a escola que pode mudar essa realidade. “O docente deve agir nas mentes, vísceras e coração”, diz Tânia. “Quem luta por justiça social precisa estar sempre em alerta e combativo. É pensar a educação para além da sala de aula.” Na UFPR há disciplinas específicas na graduação e pós-graduação para abordar a questão com os futuros professores.

No ensino público, somente na última década foram criadas políticas específicas de combate à discriminação na sala de aula. Com a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) em 1996, o assunto passou a entrar em pauta. Hoje o Ministério da Educação tem uma secretaria para tratar o tema. Há projetos de formação de docentes para o reconhecimento da diversidade sexual e equidade de gênero e o programa Escola que Protege, direcionado ao combate da violência.

Na Secretaria de Estado da Educação (Seed), foi criado em 2007 um departamento para abordar a diversidade. Há atividades direcionadas à formação em áreas como indígenas, negros, mulheres e orientação sexual. “A escola pública tem de ser universal. E o professor precisa estar preparado”, afirma Wagner Roberto do Amaral, chefe do departamento. Para apoiar os docentes, a Seed desenvolve palestras, cursos e grupos de discussão. Na secretaria de educação de Curitiba também há uma formação específica para a questão. “É preciso desmitificar todos os tipos de discriminação. E por trás dessas ações há a importância da formação”, diz a diretora do departamento de ensino fundamental, Nara Salamunes.

Para a orientadora educacional do Colégio Dom Bosco, Francisca Maria de Fauw, o docente tem de introduzir a temática do preconceito no cotidiano da sala de aula. “O professor é um facilitador. Deve estimular o debate. A escola deve investir na qualificação e o profissional tem de assumir sua função social. Somos o espaço de resgate da autoestima e da autonomia.”

 

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