Pessoas em situação de rua

Migrantes são maioria da população de rua em São Paulo, diz censo

FONTE:  G1 - (Foto: Marcelo Brandt/G1)

A maioria da população de rua de São Paulo é formada por migrantes, especialmente de cidades do interior de São Paulo, apontou o censo da população de rua divulgado pela Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) da Prefeitura. Segundo a pasta, 71% do total das pessoas que estão na rua e 73,4% do total das pessoas acolhidas nos centros da Prefeitura são migrantes. A maior parte destas pessoas vem da própria região Sudeste do Brasil.
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O censo já havia sido divulgado em março de 2015, mas, na quarta-feira (20), a Prefeitura publicou o perfil socioeconômico da população de rua no Diário Oficial. De acordo com os dados, a cidade tem 15.905 pessoas na rua, sendo 8.570 nos centros de acolhimento e 7.335 em vias e espaços públicos.

Coordenadora do Observatório de Políticas Sociais (Cops), da SMADS, Carolina Teixeira Nakagawa Lanfranchi explica que muitas pessoas vêm em busca de emprego e assistência, mas acabam nas ruas. “Acabam se deparando com a situação de rua nesse processo. Muitas fazem trabalho temporário, em construção civil, e quando acaba não conseguem retornar.”

Entre os migrantes que estão há menos de um ano em São Paulo, a população procura principalmente os centros de acolhida (24%), mas uma parcela acaba nas ruas (10%). Já os migrantes há mais de cinco anos, a maior proporção vive nas ruas (74%) e um percentual menor está nos centros de acolhimento (59%).

Estrangeiros
Há também uma situação de estrangeiros entre a população de rua, especialmente imigrantes de países do continente africano que estão em dificuldades econômicas e em conflitos. Os estrangeiros constituem 7% da população em centros de acolhimento e 1% da população nas ruas.

“Há também haitianos e sírios. Os sírios são normalmente absorvidos pela própria comunidade, mas com o crescimento de pessoas nessa situação, há o risco dessa comunidade não dar conta”, diz.Migrantes em São Paulo (Foto: Reprodução/SMADS)

Por região
O Centro tem a maior quantidade de pessoas em situação de rua. A Sé registra o maior número, com 3.864 pessoas, que representam 52,7% do total. A segunda subprefeitura mais povoada por essa população é a da Mooca, com 11,5%, e a terceira é a da Lapa, com 5,6%.

Segundo a SMADS, houve também um aumento significativo da população de rua em Santa Cecília e uma redução na região da República. Já em distritos não centrais, como Jabaquara, Cambuci, Freguesia do Ó e Cidade Dutra, o número de moradores de rua aumentou mais do que o dobro.

“Existe uma perspectiva de centralidades polares. Nesses outros bairros já existem polos de comércio e serviço que não existiam há 15 anos. Isso permite que a população de rua se instale. Então, houve também um aumento na nossa rede de acolhimento para fora da área central”, afirma Carolina.

Sobre a região de Santa Cecília, ela explica que há dois fatores importantes para o aumento da população de rua no bairro. “Há mais riqueza no próprio lixo e em pontos de farol que não vemos na Sé. Há também o fator de ações policiais na Sé mais frequentes em comparação com a Santa Cecília”.

Segundo a coordenadora, o bairro possui uma parte rica e outra mais degradada, com lojas e comércio fechando. “Com a degradação, a região se torna mais segura para a população de rua, que consegue encontrar locais para dormir, por exemplo, sem a pressão de moradores e do comércio para que saiam. Dilui também a disputa de pontos entre a população moradora de rua”, diz.

O levantamento aponta que a situação de rua cresceu não somente na área central, mas também nas regiões mais afastadas entre 2000 e 2015, passando de 4.676 para 7.932 no Centro, enquanto na região não central passou de 4.030 para 7.973.

Perfil geral
A maior parte da população em situação de rua é do sexo masculino. São 13.046 homens (82%) e 2.326 mulheres (14,6%). Do total, 533 pessoas (3,4%) não tiveram o sexo identificado na contagem, por estarem dormindo ou cobertas.

A idade média dos moradores de rua é de 39,7 anos para quem dorme nas ruas e de 42,7 anos para os acolhidos na rede de assistência social da Prefeitura. Já a idade máxima é de 86 anos para o primeiro grupo e de 94 anos para o segundo.

A maior parte dos moradores de rua tem entre 31 e 49 anos. São 5.823 pessoas (36,6%) nessa faixa etária. Destes, 3.461 são acolhidos pela Prefeitura e 2.362 dormem em vias públicas.

A pesquisa foi encomendada pela Coordenadoria do Observatório de Políticas Sociais, órgão ligado à Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, ao Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) entre 23 de fevereiro e 26 de março de 2015, em São Paulo.  Para a pesquisa, foram consideradas pessoas que estavam nos centros de acolhida e nas rua. Segundo a Secretaria, as pessoas em ocupações, internadas em hospitais, clínicas e em presídios não foram contabilizadas.

 

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