Pessoas em situação de rua

Mais da metade de jovens em abrigos de SP fez curso profissionalizante

FONTE: G1 - (Foto: Reprodução/SMADS)

Cerca de 58% das pessoas entre 18 e 35 anos que buscam abrigo nos centros de acolhida de São Paulo fizeram cursos profissionalizantes, apontou o censo da população em situação de rua realizado pela Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) da Prefeitura. Entre os cursos citados estão os oferecidos pelo Pronatec e Senai/Senac.

De acordo com o levantamento, outros 9% têm curso superior completo ou incompleto e mais de 42% chegou pelo menos ao nível médio, completo ou incompleto.
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O censo já havia sido divulgado em março de 2015, mas, na quarta-feira (20), a Prefeitura publicou o perfil socioeconômico da população de rua no Diário Oficial. De acordo com os dados, a cidade tem 15.905 pessoas na rua, sendo 8.570 nos centros de acolhimento e 7.335 em vias e espaços públicos.

Entre esse grupo de 18 a 35 anos, 17,1% trabalham como assalariados e, desse percentual, 41% trabalham com carteira assinada. O salário mensal dos trabalhadores formais é, em média, de R$ 1.153 e dos autônomos, R$ 714. Entre os jovens desempregados, aproximadamente 87% exerceram antes um emprego formal, com registro em carteira.

A coordenadora do Observatório de Políticas Sociais (Cops) da SMADS, Carolina Teixeira Nakagawa Lanfranchi, explica que esses jovens estão inseridos no mercado de trabalho, mas o salário que recebem não dá para pagar por uma moradia. “Esse público até tem alguma renda, mas não ganha o suficiente para se manter. São jovens ativos e que usam os centros de acolhimento como moradia, porque a renda que ganham não é suficiente para a subsistência”, afirmou a coordenadora.

Tentar fazer com que essas pessoas consigam uma moradia e deixem de ocupar as vagas em abrigos é um dos desafios da secretaria. “Não temos de pensar só na profissionalização ou na educação. São jovens, na faixa economicamente ativa. Temos de pensar em outras formas de acolhimento, em modelos de habitação subsidiada, por exemplo, em que essas pessoas pudessem conseguir uma moradia”, disse.

Mesmo morando nos centros, as pessoas que conseguem um emprego formal têm maior possibilidade de planejamento dos gastos, possibilitando até a sua inserção em algum tipo de programa habitacional compatível com a renda, além de garantir outros direitos.
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Do total dos trabalhadores formais, 39% trabalham no comércio e indústria e outros 37%, nos serviços de limpeza e construção civil. Ainda segundo o levantamento, 83% dos assalariados são contratados por empresas.

“O censo ajuda a derrubar alguns mitos relacionados à população de rua. Um deles é de que essa população não quer trabalhar. O mercado é que exclui as pessoas das estruturas, esse é um dos aspectos importantes, pois a grande maioria infere renda”, disse a coordenadora do Cops.

Entre os que trabalham por conta própria, mais de 20% citaram que atuam em construção civil, atividades de carga e descarga e distribuição de panfletos. Outras atividades citadas por entre 10 e 20% dos entrevistados estão comércio ambulante, flanelinha, catador de materiais recicláveis, garçom e cozinheiro, além de mendicância. O preconceito dos empregadores (38,6%) é a principal razão apontada por quem não consegue trabalho, além da ausência de endereço fixo (32,4%) e problemas com álcool e drogas (32,1%).

Desempregados
Exceto por esse grupo entre 18 e 35 anos, são poucos os outros moradores em situação de rua que informaram ter emprego com registro em carteira: 7,2% entre acolhidos e 2,2% entre os que estão rua. Já as pessoas que não tem registro em carteira, mas recebem salário mensal, 10,7%, vivem nos centros, e 2,6%, nas ruas.

A maioria declarou que obtém renda através de trabalho por conta própria ou bicos (57,7% nos centros e 73,8% nas ruas), enquanto uma parte declarou não estar trabalhando (25,8% nos centros e 20,7% nas ruas).

Drogas
“Outro mito que o censo derruba é que para sobrevier nas ruas tem que usar drogas. Na verdade, existe um uso antes e pós a rua. A maioria das pessoas nessa situação usava antes”, disse a coordenadora. Ela afirma que o consumo ocorre pela população em situação de rua de maneira geral, não somente os jovens, e tanto de drogas lícitas quanto ilícitas.

Segundo Carolina, a abordagem nos locais de uso de drogas mostrou que uma parcela dos consumidores tem casa. “Não é uma situação de rua somente. O uso de drogas aumentou de forma geral e não quer dizer que todos estão em situação de rua. Dependendo da estrutura de laços familiares, a pessoa terá ou não recurso para se recuperar da dependência”, disse.

O uso de drogas é maior entre pessoas que estão nas ruas (83,8%), do que entre as que estão em centros de acolhida (54,3%). A substância mais utilizada é o álcool: 44,6% entre acolhidos e 70,1% entre moradores de rua, respectivamente. As drogas ilícitas são consumidas por 52,5% dos que estão na rua e 28,7% dos acolhidos.

Entre o total de acolhidos, o uso de álcool e drogas ilícitas é bem maior entre os homens do que no grupo feminino: não usam nem álcool nem drogas 72% das mulheres acolhidas, mas entre os homens a proporção é de 42%. Na rua, o consumo de álcool e drogas também é maior entre os homens (85%) do que entre as mulheres (75%), mas o percentual de uso de drogas ilícitas entre as mulheres é semelhante ao encontrado no grupo masculino (52%).

“O censo apurou que há menos uso entre as mulheres e há uma forte relação com a idade, é mais usado pelos jovens. Os acolhidos usarem menos está relacionado também ao fato de estarem mais protegidos, terem mais relações de amizade e solidariedade do que na rua”, afirmou Carolina. “O uso de drogas não é questão de segurança pública. É de saúde pública. Requer atenção médica e não policial. É diferente quem é dependente e quem faz uso abusivo quando tem amigos ou familiares que ajudem a superar a depressão ou uma pré-disposição ao uso”, disse.

Números gerais
Das 8.570 pessoas em centros de acolhida, 1.352 têm entre 18 e 30 anos e 3.461 têm entre 31 e 49 anos. Entre os 7.335 encontrados na rua, 1.081 têm entre 18 e 30 anos e 2.362 têm entre 31 e 49 anos. Apesar do estudo realizado entre pessoas de 18 a 35 anos, a SMADS não possui números específicos sobre essa população.

 

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