Pessoas em situação de rua

Dona de loja de bolos tem sempre uma fatia para moradores de rua em Belo Horizonte

FONTE: CURTA MAIS

Curiosamente, assim que a empresária Nalu Saad, de Belo Horizonte (MG), abriu uma loja de bolos na cidade – há cerca de um ano e meio -, o seu primeiro ‘freguês’ não foi bem um cliente tradicional. A primeira pessoa a consumir algo em seu estabelecimento foi um morador de rua que pediu uma fatia do doce para saciar a fome. E o melhor de tudo é que o ato de bondade seria o pontapé inicial de uma incrível generosidade que se mantém até hoje.

Formada em Jornalismo e dona da ‘Bolo Doce Bolo‘, Nalu teve o seu coração tocado pela simplicidade do sem-teto. Em uma postagem no Facebook (que já passa de 5 mil curtidas e 1.800 compartilhamentos), a comerciante contou a história de quando o rapaz entrou na sua loja, pediu um café e a chamou de “irmã”. E foi nesse momento que ela tomou uma importante decisão: sempre terá um pedaço de bolo esperando um morador de rua que passar por sua loja.

“Sabe quando você abre um negócio cheio de expectativas e precisa de retorno porque o marido também é jornalista e estava desempregado? Mas tinha como prática nunca deixar alguém sem comida. Às vezes ando com biscoitos, leite e outras coisas no carro e dou para quem pede dinheiro. O morador de rua foi meu primeiro cliente e sempre me chama de irmã. Desde o primeiro dia. Aí servi este homem no momento que a loja foi aberta e avisei a funcionária, ao marido e aos filhos que sempre daríamos de comer. Aí fomos adaptando essa prática. Hoje temos o que chamamos de bolo dos irmãos. Fica guardado na linha de produção. Se acaba, fatio outro”, disse ao site ‘Razões para Acreditar’.

No relato, Nalu conta que o espírito generoso de compartilhar com que mais precisa surgiu desde pequena. Em sua casa, não faltava comida, mas a família era pobre e o dinheiro era contado. Mesmo assim, se alguém pedia comida, sua mãe jamais negava. E se precisasse, mesmo após a mesa de refeição já ter sido tirada, ela cozinhava para alimentar alguém necessitado. E os valores aprendidos por Nalu são repassados a seus filhos.

“Tem um que vem buscar água com uma garrafa pet, chega com a garrafa suja e a gente sempre lava bem e separa uma água bem gelada, porque ele já disse que gosta de água gelada. A maioria prefere café puro, mas se alguém pedir leite, nós também servimos. Tem dia que tenho sobras de bolos inteiros do dia anterior, excelentes até para vender, mas não vendemos bolo do dia anterior. Aí repasso o bolo inteiro, faço isso mais no sábado ou véspera de feriado. Não abrimos no domingo, então garantimos algum bolo por dois dias pra eles e tem também os garis que passam todos os sábados”, explica.