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Travessia do Mediterrâneo é a mais mortal para migrantes, diz relatório da ONU

FONTE: ONUBR

O documento, lançado pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), afirma que o maior número de mortes foi registrado em 2016 (5.096), quando a rota menor e relativamente menos perigosa da Turquia para a Grécia foi fechada, após um acordo entre União Europeia e o país euro-asiático.
Arriscando suas vidas para chegar à Europa, migrantes são resgatados no Mar Mediterrâneo pela Marinha italiana. Foto: ACNUR/A. D’Amato

Arriscando suas vidas para chegar à Europa, migrantes são resgatados no Mar Mediterrâneo pela Marinha italiana. Foto: ACNUR/A. D’Amato

Atravessar o Mar Mediterrâneo com destino à Europa é a jornada mais perigosa para migrantes, com ao menos 33.761 mortes ou desaparecimentos registrados entre 2000 e 2017, segundo relatório das Nações Unidas divulgado no fim de novembro (24).

O documento, lançado pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), afirma que o maior número de mortes foi registrado em 2016 (5.096), quando a rota menor e relativamente menos perigosa da Turquia para a Grécia foi fechada, após um acordo entre União Europeia e o país euro-asiático.

“Fechar rotas menores e menos perigosas pode abrir rotas maiores e mais perigosas e, portanto, aumentar a probabilidade de mortes no mar”, disse o professor Philippe Fargues, do Instituto Universitário Europeu, um dos autores do relatório.

O documento analisa dados disponíveis sobre travessias irregulares pelo Mediterrâneo e de várias rotas criadas desde os anos 1970, assim como a magnitude dos fluxos, a evolução das rotas no mar para o Sul da Europa, as características dos migrantes, a extensão do que pode ser classificado como movimento forçado ou econômico e a mortalidade durante a travessia.

Mais de 2,5 milhões de migrantes atravessaram o Mediterrâneo de maneira não autorizada desde 1970.

As travessias irregulares pelo mar começaram a aumentar naquela década em resposta à introdução, por parte de potências ocidentais que enfrentavam crescentes níveis de desemprego durante a crise do petróleo de 1973, da necessidade de visto para pessoas que até então não precisavam obtê-lo — a maioria trabalhadores temporários do Norte da África e da Turquia.

Essas políticas encorajaram aqueles que já estavam na Europa a ficar no continente, aumentaram a migração irregular de familiares que queriam se reunir com parentes na Europa e abriram caminho para o tráfico de migrantes, informou o relatório.

O documento também enfatizou as diferenças entre o padrão moderno de migração da África para a Itália, principalmente via Líbia, e aquele com origem no Oriente Médio tendo como destino a Grécia, via Turquia.

As chegadas à Itália partindo da África do Norte se originam principalmente na África subsaariana como resposta a profundas pressões migratórias — crescimento populacional somado a limitadas oportunidades de subsistência, desemprego alto e instabilidade política e econômica.

As migrações para a Grécia saindo da Turquia a partir de 2009 foram feitas principalmente por pessoas com origem em Estados afetados por conflitos e instabilidade política, como Iraque, Afeganistão e Síria.

Lembrando as limitações dos dados disponíveis sobre migrações irregulares, o relatório afirmou que os números de mortes no Mediterrâneo podem estar subestimados, já que são baseados no volume de corpos encontrados e nos depoimentos de sobreviventes.

 

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