Ação humanitária

Plataforma ajuda a integrar refugiados ao mercado de trabalho brasileiro

FONTE: NAÇÕES UNIDAS

O crescente número de pessoas que buscam refúgio no Brasil – em 2018, foram cerca de 80 mil solicitações formais, segundo dados da Polícia Federal – faz com que setor público e privado, assim como agências das Nações Unidas, busquem soluções para o acolhimento digno dessas pessoas no país.

Pensando na ampliação do acesso ao mercado de trabalho, a Rede Brasil do Pacto Global e a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), com o apoio da ONU Mulheres, lançaram na semana passada (3), em São Paulo (SP), a plataforma online “Empresas com Refugiados”, um banco de dados sobre boas práticas e incentivos à contratação de refugiados.

O crescente número de pessoas que buscam refúgio no Brasil – em 2018, foram cerca de 80 mil solicitações formais, segundo dados da Polícia Federal – faz com que setor público e privado, assim como agências das Nações Unidas, busquem soluções para o acolhimento digno dessas pessoas no país.

Pensando na ampliação do acesso ao mercado de trabalho, a Rede Brasil do Pacto Global e a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), com o apoio da ONU Mulheres, lançaram na semana passada (3), em São Paulo (SP), a plataforma online “Empresas com Refugiados”, um banco de dados sobre boas práticas e incentivos à contratação de refugiados.

A plataforma é também um produto da terceira edição do projeto “Empoderando Refugiadas” – iniciativa de ACNUR, Rede Brasil do Pacto Global e ONU Mulheres que promove a capacitação e o acesso de mulheres ao trabalho no Brasil, além da sensibilização das empresas e organizações para a contratação.

O intuito da plataforma é levar as lições aprendidas e metodologias utilizadas no projeto a outras empresas. “O ‘Empoderando Refugiadas’ tem resultados excelentes e é premiado no mundo todo. Porém, precisamos dar escala à empregabilidade e é por isso que lançamos a plataforma”, afirmou Carlo Pereira, secretário-executivo da Rede Brasil do Pacto Global.

Além da questão humanitária, as diferentes experiências que os refugiados carregam são uma contrapartida interessante para as empresas que buscam mais diversidade em seus quadros. Segundo Paulo Sérgio de Almeida, oficial de meios de vida do ACNUR, pessoas em situação de refúgio “trazem experiência de vida, sua profissão e sua visão de mundo para os países que os acolhem”.

“Nos parece fundamental que os países acolhedores possam dar oportunidade para que estas pessoas demonstrem seu valor. E isso só é possível através do trabalho”, declarou.

Painel Empresas com Refugiados
O evento também trouxe representantes de empresas que foram instigados a compartilhar suas experiências tanto na contratação de refugiados quanto em projetos de apoio a este grupo no Brasil. Com moderação de Eliane Figueiredo, do Grupo Mulheres do Brasil, compuseram a mesa de debate profissionais da seguradora Mapfre, do Consulado da Mulher (iniciativa social da fabricante de eletrodomésticos Consul) e do escritório de advocacia Mattos Filho.

Com foco na empregabilidade e empreendedorismo e utilizando parcerias com outras instituições, Mapfre e Consulado da Mulher têm projetos que, apesar de distintos, compartilham experiências positivas em comum.

De acordo com Jisley Bontempo, representante da Mapfre, “ao empregar um refugiado, empresas têm acesso a histórias de vida muito diferentes e isso impacta o ambiente”. “O grupo se torna mais resiliente, mais empático.”

Alessandro Carvalho, do Consulado da Mulher, disse que “o trabalho de adaptação às diferenças culturais às vezes é difícil, mas é gratificante ver que foi possível alcançar resultados para a empresa e para as pessoas.”

Já o escritório de advocacia Mattos Filho disse oferecer atendimento jurídico pro bono a pessoas em situação de refúgio, assim como a outros grupos em situação de vulnerabilidade.

“Há uma assimetria no acesso à Justiça no Brasil, tanto para brasileiros quanto para migrantes e refugiados, e a forma que encontramos de endereçar isso foi apoiar organizações sem fins lucrativos, atendendo pessoas e quem pensa em melhoria nas políticas públicas”, relatou Bianca Waks, advogada da Mattos Filho.

Encerramento da terceira edição do ‘Empoderando Refugiadas’
O encontro, realizado na empresa de compartilhamento de escritórios WeWork, em São Paulo, também marcou o encerramento da terceira edição do “Empoderando Refugiadas”, que teve início em agosto de 2018.

Durante a edição, foram realizadas uma série de treinamentos, dinâmicas de contratação e capacitação de empresas. Cinquenta mulheres refugiadas participaram dos encontros, sendo que 30 foram participantes regulares e certificadas ao final do projeto. Ao todo, a iniciativa, que começou em 2015, já atendeu 110 mulheres, das quais 30 foram empregadas*.

Entre as empresas parceiras do projeto que desenvolveram suas próprias inciativas, destacam-se Sodexo, que contratou 46 pessoas em situação de refúgio no Brasil em 2018, e o Instituto Lojas Renner, que promoveu a capacitação de 117 refugiados nas áreas de costura e modelagem e atendimento e vendas para varejo.

Assim como afirmou Adriana Carvalho, gerente dos Princípios de Empoderamento Feminino (WEPs) da ONU Mulheres, a necessidade da inclusão da mulher no mercado de trabalho também é inerente à questão do refúgio.

“Quando surge uma crise humanitária como esta e, com ela, as possíveis soluções, a perspectiva de gênero é necessária. Quando incluímos as mulheres neste processo de reconstrução, pensando nas suas especificidades, encontramos soluções muito melhores.”

Rama, refugiada síria que participou da terceira edição do projeto e foi contratada pela empresa Fox Time, deu um emocionante depoimento sobre como o trabalho transformou sua vida no Brasil.

Segunda ela, por meio do emprego formal, conseguiu dar conforto às filhas e ganhou uma nova família. “Meus colegas de trabalho hoje também são meus amigos e minha família no Brasil, sou muita grata a tudo que fazem por mim”, disse.

O evento se encerrou com uma homenagem às refugiadas presentes na cerimônia e com um painel de debate, no qual parceiros e colaboradores do “Empoderando Refugiadas” relataram os benefícios do projeto e como vêm avançando em torno da questão do refúgio por meio de suas próprias ações e iniciativas. Participaram do painel representantes de Carrefour, Sodexo, Renner, ABN AMRO, Pfizer, Fox Time, EMDOC/PARR, We Work e Mulheres do Brasil.

O “Empoderando Refugiadas” conta com a parceria da rede social Facebook e com os apoios de ABN AMRO, Carrefour, Lojas Renner, Pfizer e Sodexo. A iniciativa tem ainda os parceiros estratégicos Consulado da Mulher, Fox Time, Grupo Mulheres do Brasil, Programa de Apoio para a Recolocação dos Refugiados (PARR) e WeWork.

*Os números ainda não são finais, pois várias participantes do projeto ainda estão em processo de seleção para o mercado de trabalho.