Inclusão Social

Detentos participam de produção de bonecas para crianças com câncer no ES

FONTE: G1 

Projeto acontece desde o ano passado, no presídio de segurança média, de Viana. Objetivo é produzir 150 brinquedos para entregar para os pacientes até o final do mês.

Um projeto para doar bonecas de crochê para crianças com câncer está dando novo sentido para a vida dos detentos da Penitenciária de Segurança Média de Viana, na região Metropolitana de Vitória. O objetivo é que 150 unidades do brinquedo sejam entregues no final do mês para pacientes em tratamento oncológico no Hospital Infantil.

A ideia de levar o projeto para o presídio surgiu no ano passado, quando a juíza da Vara de Execuções Penais de Viana assistiu a um vídeo da voluntária Rogéria Aguiar fazendo as bonequinhas na internet e fez o convite para que ela participasse do projeto, que já acontece desde 2016 na penitenciária.

Rogéria começou a fazer as bonecas há 10 anos, depois que passou por um tratamento de câncer. Ela encontrou no presídio a ajuda que precisava para confeccioná-las.

“Eu tinha patrocínio de linhas, mas não tinha mão de obra. Depois do tratamento todo, eu tive que refazer a minha vida. Eu era professora de matemática e lembrei que aprendi crochê na infância e me refiz fazendo bonequinhas. Comecei fazendo para uma sobrinha minha e quando fui costurar o cabelo da boneca, eu me vi. Deus colocou no meu coração fazer bonecas para doar”, relatou.

Os modelos das bonequinhas são os mais variados. A única coisa em comum é a peruquinha que todas usam. Com esse trabalho, ela espera fazer a alegria das crianças e ainda ajudar a reduzir o custo que o estado tem com os presos.

De acordo com o diretor da unidade prisional Roger Santesi Filho, atualmente 100% dos internos do presídio estão ocupados.

“Isso traz a questão do comportamento, do trato com os servidores. O número de ocorrência é praticamente zero e a gente tem esse ambiente de integração, onde eles se sentem úteis”, informou o diretor.

Oportunidade

Os presos que participam do projeto passam o dia na trabalhando na confecção e ajudam a pensar nos modelos. Além das bonecas de crochê, os internos também ajudam na recuperação de brinquedos usados, fazendo uma nova roupa para eles.

Cada uma deles tem uma história e foram parar na prisão por um motivo específico. Com o trabalho, além de ajudar crianças com câncer, eles diminuem suas penas.

Para o interno Isaias de Oliveira, fazer as bonecas representa mais do que a redução da sentença.

“Quando eu estou fazendo um trabalho desse daqui eu estou colocando nele a minha emoção, meu sentimento. Então cada ponto desse significa o que eu estou desejando para a pessoa que vai recebê-lo”, declarou.

O interno Hiago Nascimento nunca tinha colocado a mão numa agulha de crochê antes. Com esforço, ele já conseguiu fazer uma boneca. Esse aprendizado representa para ele uma possibilidade de futuro.

“É gratificante saber que eu estou fazendo essas bonecas para crianças que estão com dificuldade. Mudou muita coisa. A gente adquire sabedoria também. É uma profissão também”, disse Hiago.

Para o interno Roberto Fraga, que tem depressão, fazer as bonecas fez com que conseguisse reduzir a medicação e tem ido com menos frequência para o hospital.

“Eu sou depressivo e ansioso. Esse trabalho me ajuda muito, porque é uma terapia que a gente tem para vencer esses problemas que a vida coloca diante da gente. Quando chega a noite, depois de um dia de trabalho cansativo e coloca sua cabeça no travesseiro, a gente pensa que esse brinquedo vai causar uma alegria nessa criança que ela vai esquecer a doença. Isso é muito importante para nós”, contou.

Esse projeto de solidariedade faz a voluntária Rogéria ver benefícios para todos.

“Eu faço esse trabalho voluntário tanto no presídio quanto nos hospitais. Aqui, às vezes, eles têm vida e estão pensando em tirar a vida em função do que estão passando. Lá, eles estão lutando para viver um dia a mais. Então, que aqui eles possam dar valor a vida independente de onde estão porque o nosso presente é o hoje e temos que agradecer por estamos vivos”.